Vida de professora/professor não é fácil… É empreitada cotidiana, batalha a cada aula. Onde a gente a cada dia se pergunta:
– Que diabo estou fazendo aqui?
– Não vou dar conta! É demais para mim!
– Não tem jeito, ele não vai aprender!?
– O que me falta? Será que é comigo? A incompetente sou eu?…
As respostas não vêem de cara. Elas pernoitam horas que deveriam ser de sono, mas que se tornam desassossego pela escuridão da noite…
Contudo, no clarão do dia surge uma saída, e lá vamos nós, correndo atrás, esperançosos… A cada aula damos um passo, um escorregão, vontade de desistir, de fugir, de não se acreditar capaz.
Mas a cada nova aula uma batalha conquistada… aprender não é fácil, de cara! Aprender exige disponibilidade, vontade, desejo, abertura para enfrentar os “não sei”, os “é difícil”… Gente só aprende a partir do que faz sentido e significado, a partir do que sabe, a partir da própria experiência. Por isso que ensinar é tão difícil!! Pois cada aluno é um, com sua impressão digital mostrando que é o único exemplar na face da terra. Por isso mesmo tem que ser acolhido, respeitado pelo que é e não pela imagem idealizada que posso vir a ter dele.
Gente só aprende por amor e por ódio, jamais na indiferença… gente cria e vive tecendo relações, vínculos para poder assim, aprender e ensinar; sempre dentro de um grupo, junto com muitos.
Ser gente “é ser junto”, como nos diz Paulo Freire. É viver com, ensinar com, fazer com, aprender com.
Por isso, a matéria prima do educador, de nós que ensinamos, é a pessoa humana. É um exagero, uma redundância falar em pessoa humana, porque não existe pessoa que não é humana. Mas no mundo de hoje, mais do que nunca, se faz urgente e necessário resgatar esta aprendizagem de tornar-se Humano… Nesse mundo descartável em que gente virou coisa, embruteceu-se, perdeu-se, na sua essência vital, sagrada de ser GENTE. A matéria-prima da educação, do ensinar do educador é a pessoa humana que conhece, aprende junto com os outros.
O conhecimento é LUZ, que quando sintonizado com a luz, desejos e sonhos de cada um (e de todos) transforma-se, encarna-se em vaga-lumes, estrelas constelantes, que iluminam irradiando reverberando energias para a mudança, crescimento de muitas vidas. A vida e o conhecimento devem ser sempre celebrados, glorificados. A vida, este único presente que nos é dado de graça como GRAÇA à ser assumida.
Por isso celebrar este nosso dia do professor é momento de coroamento de muitas conquistas e ao mesmo tempo de agradecimentos à vida, por tudo que tem nos possibilitado construir em nossas batalhas cotidianas… E a luta sempre continua… sempre vale a pena! Na grandeza dessa profissão, desse profissional – vaga-lume, estrela constelante de energia, luz e conhecimento.
______
Madalena Freire é arte-educadora, pedagoga. Dedica-se desde 1981 à formação de educadores. É coordenadora do Curso Normal Superior do Instituto Superior de Educação Pró-Saber.
